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18.04.2018 • Economia

Déficit fiscal do Brasil está acima da média da América Latina, diz Banco Mundial

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Estudo com 32 países mostra que em 31 deles gastos superaram as receitas ano passado

Campo Grande (MS) - O Banco Mundial reviu para cima as projeções de crescimento do Brasil e da América Latina, no entanto, fez um alerta em relação ao tamanho do déficit fiscal (gastos acima das receitas) na região, reforçando que essa situação é um risco para o crescimento sustentável e para a manutenção do cenário de baixa inflação. Em documento divulgado nesta terça-feira, o organismo multilateral defende que o ajuste tem que ser feito sem deixar a inclusão social de lado.

O relatório "Ajuste Fiscal Na América Latina e Caribe: Custos no Curto Prazo, Benefícios no Longo Prazo?" mostra que o déficit fiscal no Brasil ficou em quase 4% do PIB, acima da média de 2,4% da região analisada. Já a relação entre dívida e PIB também é pior no caso da economia brasileira: mais de 70% enquanto a média da região é de 57,6%.

Dos 32 países analisados, 31 registraram déficits fiscais no ano passado — o único que conseguiu poupar menos do que arrecada foi Granada, uma ilha no Caribe. O Banco Mundial defende que é necessário fazer o ajuste fiscal para garantir um crescimento sustentável no longo prazo e que, no curto, isso irá representar um custo de dívida menor. No entanto, espera que essas mudanças sejam feitas de forma gradual, para que os investimentos sejam mantido, assim como as políticas de transferência de renda, que ajudam o combate à pobreza.

O Banco Mundial revisou para cima as projeções de crescimento da região. A expectativa do organismo multilateral é um pouco diferente do cálculo feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), também divulgado hoje. Depois de um crescimento de 1,1% no ano passado, o Banco Mundial espera que a América Latina e Caribe cresça 1,8% neste ano e 2,3% no ano que vem. Excluindo a Venezuela, que atravessa uma severa crise econômica, o crescimento previsto para a região é de 2,6% neste ano e de 2,8% no ano que vem.

Brasil e Argentina lideram esse crescimento. No caso da economia brasileira, é esperado um crescimento de 2,4% em 2018 e de 2,5% no próximo ano. Para a Argentina, o número é ainda maior, de, respectivamente, 2,7% e 2,8%

Essa melhora, no entanto, é decorrente do cenário global: aumento do preço das commodities, alta liquidez de recursos no mercado global e crescimento dos Estados Unidos e da China.

— O Brasil tem feito reformas importantes. Talvez não na velocidade que se goste, mas há reformas fiscais e trabalhistas. A reforma do sistema de aposentadoria ainda não foi aprovada, mas há um consenso em toda a classe política de que ela deve ser feita — disse, que também vê contribuição das medidas de combate à corrupção na região para que os gastos fiquem mais eficientes e transparentes.