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20.04.2018 • Economia

Embargo à frigoríficos afeta unidades de Mato Grosso do Sul

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Campo Grande (MS) - A Comissão Europeia informou na quinta-feira (19) que decidiu proibir as importações de produtos de carne de 20 estabelecimentos brasileiros que têm autorização para exportar para a União Europeia (UE). Entre as plantas afetadas pela decisão, estaria a BRF de Dourados, segundo informações repassadas pelos produtores da região, e a Bello Alimentos, localizada em Aparecida do Taboado, de acordo com lista parcial divulgada pelo jornal O Globo. As unidades realizam, em média, cerca de 40 milhões e 11,8 milhões de abates de aves por ano, respectivamente. 

Outros frigofíricos do Estado, como a Seara e JBS de Sidrolândia e Caarapó, também podem ter sido alvo da proibição. A lista completa das empresas afetadas ainda não foi divulgada.A medida, que atinge principalmente o comércio de produtos de aves, foi tomada em decorrência de deficiências detectadas no sistema de controle oficial do Brasil, especialmente após a deflagração da segunda fase da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, chamada Trapaça. O governo brasileiro, contudo, alega que haveria interesse em sabotar o Brasil em âmbito comercial. 

A proibição passa a vigorar 15 dias após a publicação no diário oficial da União Europeia. Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), a medida atinge 12 fábricas da BRF. De acordo com o presidente da Associação de Avicultores de Mato Grosso do Sul (Avimasul), Adroaldo Hoffman, a situação preocupa o setor, que está apreensivo para saber se mais plantas de MS foram afetadas pelo embargo. “Não foram divulgados todos os nomes e nós ainda não sabemos tudo a respeito. Mas com certeza é preocupante. Isso tudo vai para a imprensa, e o consumidor pode não entender que é um problema pontual”, analisa. “Essas empresas [denunciadas pela Operação Carne Fraca] burlaram as regras e precisam ser corrigidas e punidas, mas não representam todo o setor, que infelizmente também terá sua credibilidade afetada”. 

Para Hoffman, a produção sul-mato-grossense será muito prejudicada caso mais plantas sejam desabilitadas para exportar ao bloco europeu. “As unidades têm um custo de produção muito alto justamente pela tecnologia necessária para atender todas as exigências sanitárias necessárias para a exportação. Se elas forem proibidas, fica praticamente inviável continuar a produção apenas para o mercado interno”, explica.

Segundo o produtor e ex-presidente da Associação dos Avicultores da Grande Dourados (Avigrande), Anízio Soares Filho Ribeiro, cerca de 80% da produção do Estado é para exportação e, por isso, o embargo teria grande efeito negativo. “Para o Brasil, a exportação da União Europeia representa relativamente pouca coisa, mas para nós é grande, a gente vê toda esse cenário com grande preocupação”. 

A reportagem também conversou com o atual presidente da Avigrande, Rondinelli Gulhak, mas até a publicação desta reportagem não havia informações sobre outras plantas de MS no embargo.