Nos primeiros 15 dias de 2026, as despesas públicas brasileiras já ultrapassaram R$ 233 bilhões, segundo dados da plataforma Gasto Brasil. O levantamento considera gastos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, consolidados até as 18h30 da última quinta-feira, dia 15.
Do total apurado, R$ 94,7 bilhões correspondem às despesas da União, R$ 65,9 bilhões aos estados e ao Distrito Federal, e R$ 72,6 bilhões aos municípios. Os valores incluem despesas com pessoal e encargos sociais, investimentos, inversões financeiras e outros gastos correntes.
Na comparação com a arrecadação tributária registrada pelo Impostômetro no mesmo horário, a despesa pública superou a receita. Enquanto os gastos somaram R$ 233 bilhões, a arrecadação atingiu R$ 203,7 bilhões. O Impostômetro contabiliza todos os tributos arrecadados pelas três esferas de governo, incluindo impostos, taxas, contribuições, multas, juros e correção monetária.
Os dados do Gasto Brasil foram desenvolvidos pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil em parceria com a Associação Comercial e Empresarial de São Paulo.
Pressão fiscal e risco orçamentário
Em nota técnica, a CACB defende a adoção de uma reforma administrativa como forma de aprimorar o planejamento e aumentar a eficiência do gasto público. A entidade avalia que a ausência de reformas estruturais compromete a sustentabilidade das contas públicas e reduz a capacidade de investimento do Estado.
A análise econômica também aponta riscos à execução orçamentária futura. Segundo o economista André Galhardo, o ritmo de crescimento de algumas despesas obrigatórias pode reduzir significativamente o espaço para gastos discricionários já a partir de 2027, especialmente aqueles destinados ao custeio e aos investimentos públicos.
De acordo com dados atualizados do Gasto Brasil, apenas as despesas com Previdência já somavam R$ 77,2 bilhões até o fechamento do levantamento, em 19 de janeiro, valor que cresce em ritmo superior ao limite estabelecido pelo atual arcabouço fiscal.
A elevação contínua dos gastos públicos, combinada à alta carga tributária, também afeta o setor produtivo e a geração de empregos. A avaliação é de Anderson Trautman, vice-presidente jurídico da CACB, ao destacar que a expansão do gasto tende a pressionar a necessidade de arrecadação, elevando o custo tributário sobre empresas e consumidores.
Como funciona o Gasto Brasil
A plataforma Gasto Brasil reúne, em um único ambiente, informações sobre as despesas primárias efetivamente pagas por todos os entes federativos. O sistema permite identificar eventuais defasagens de informação, especialmente nos dados de estados e municípios.
A metodologia adotada é baseada em três etapas principais: automatização da coleta e do armazenamento dos dados, tratamento e ajuste das informações e projeção dos valores estimados. A coleta ocorre por meio de integrações com a Secretaria do Tesouro Nacional, responsável pelos registros das despesas públicas pagas.
Os dados são atualizados continuamente e podem ser acompanhados em tempo real na plataforma oficial.
Fonte: Vitória News

