“Durante seu primeiro mandato, de 2003 a 2010, Lula recebeu elogios internacionais por reduzir significativamente a pobreza. Desde que retornou ao poder, há três anos, ele isentou do imposto de renda os trabalhadores de baixa renda, aumentou o salário mínimo e reforçou os benefícios sociais”, diz o Financial Times.
“Contudo, apesar do forte crescimento do PIB e do desemprego relativamente baixo, seus índices de aprovação nas pesquisas de opinião pública têm caído. Esses números, frequentemente atribuídos à inflação persistente e ao endividamento das famílias, ajudam a explicar o foco de Lula no plano [para acabar com a escala] 6×1.”
O jornal destaca que entidades do setor privado afirmam que as propostas podem prejudicar a criação de empregos ou até mesmo levar a demissões, citando dados da Fecomércio-SP, que estimam que a redução da jornada para 40 horas semanais poderia aumentar os custos por hora em 10%.
Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirma em estudo que os custos seriam suportáveis, e sem provas concretas de perda de postos de emprego.
“Mas mesmo que uma semana de trabalho mais curta force empresas e trabalhadores a serem mais produtivos, haverá contrapartidas: a cultura de longas jornadas de trabalho nos EUA é um dos principais motivos pelos quais os trabalhadores americanos ganham mais do que seus homólogos europeus”, diz a reportagem do Financial Times.
“Pesquisadores do FMI argumentam que a solução não é forçar as pessoas a trabalharem mais do que desejam, mas sim inserir mais pessoas no mercado de trabalho por meio de políticas como licença parental mais abrangente — e ajudá-las a continuar trabalhando até idades mais avançadas.”
No fim do mês passado, duas propostas para acabar com a escala 6×1 avançaram em comissões no Congresso brasileiro. As medidas passam agora a ser analisadas por uma nova comissão especial e, se aprovadas, podem seguir para votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
Fonte: G1