Para as empresas, o ganho não é pagar menos imposto, mas sim parar de perder dinheiro com a burocracia para pagá-los. O paradoxo é que o prejuízo já está batend
Uma das mais aguardadas reformas empreendidas no Brasil nos últimos anos, seguramente, foi a reforma tributárIa, que começa a se tornar realidade este ano e deve ganhar espaço a partir de agora, quando (segundo dizem) o ano efetivamente começa no Brasil – e talvez na China, que ingressou no ano novo na terça-feira. A promessa é que a reforma dos impostos sobre o consumo destrave a economia brasileira. Apesar de não prever redução da carga tributária, embute o conceito da simplificação, o que, por si só, pode implicar redução de custos para as empresas obrigadas hoje a manter departamentos inteiros para processar a barafunda de leis tributárias e impostos.
Estima-se que as empresas brasileiras gastem, em média, 1.500 horas por ano apenas para calcular e pagar impostos, o que deve ser reduzido com a entrada efetiva em vigor do IBS e do CBS em 2027. Esse ganho de produtividade gerado pela reforma vai impactar a geração de riqueza do país. A projeção mais citada pelo governo e por economistas é que a reforma pode gerar um crescimento adicional do PIB entre 12% e 20% em um período de 15 anos. O Ipea estima um ganho acumulado de 2,39% até 2032, em relação ao cenário sem reforma, enquanto estudos da FGV e FMI apontam que o PIB potencial do país pode ser elevado em até 8%, apenas com uma melhor alocação dos recursos.
“A reforma tributária não cria problemas; ela apenas tira o tapete onde a sujeira da gestão estava escondida”, observa Lucas Sousa, gerente comercial da GestãoClick, para alertar as empresas para a necessidade de se organizarem este ano, já que a reforma funcionará em fase de teste. Como estamos em 2026, o ganho econômico imediato não é financeiro, mas operacional. A alíquota de teste de 1% (0,9% CBS + 0,1% IBS) serve para calibrar o sistema. O ganho aqui é a previsibilidade: empresas que se organizarem agora evitarão as multas e o caos administrativo que atingirá quem deixar para a última hora.
Para as empresas, o ganho não é pagar menos impostos, mas sim parar de perder dinheiro com a burocracia para pagá-los. O paradoxo é que, embora o novo sistema só comece agora, o prejuízo já está batendo à porta de muita gente. Não por causa da lei nova, mas pela velha e conhecida desorganização. Dados recentes da GestãoClick, um sistema ERP de gerenciamento empresarial, revelam um cenário de “paralisia por análise”: 97% das empresas não se sentem preparadas e quase 70% sequer começaram a se mexer. O sintoma mais comum? O empresário sabe que será impactado, mas não faz ideia de como o baque virá.
Segundo a GestãoClick, não é hora de trocar de regime tributário no escuro ou tentar antecipar planejamentos fiscais complexos. “O período de transição é gradual justamente para permitir ajustes. Tentar resolver tudo no susto gera um custo operacional que, muitas vezes, é maior que o próprio imposto”. O primeiro a se fazer, é sanear os dados, com um cadastro de produtos e serviços, o que pode evitar erros em notas fiscais no futuro. “A emissão de notas deve ser um processo mecânico e preciso. O retrabalho é o maior inimigo da margem de lucro”. De acordo com Lucas Sousa, “os erros na emissão de notas, cadastros de produtos feitos de qualquer jeito e a falta de integração com o contador são ralos por onde o dinheiro escoa hoje – e por onde ele jorrará quando as regras mudarem. Em suma, ainda que em testes, a reforma tributária já é uma realidade.
Alumínio
R$ 715,9 milhões é o valor do financiamento aprovado pelo BNDES para o projeto da CBA de modernizar a produção de alumínio na fábrica em São Paulo e em um pátio em Goiás
Combustíveis
No início de fevereiro todos os combustíveis aumentaram em relação à primeira quinzena de janeiro, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) para o Sudeste. O etanol subiu 2,62%, passando a custar R$ 4,70. Já a gasolina ficou 0,16% mais cara, com preço de R$ 6,34. O diesel comum subiu 0,32%, chegando a R$ 6,21. Já o diesel S-10 foi o único combustível que teve queda na região, ficando 0,16% mais barato, vendido a R$ 6,24.
Fonte: Estado de Minas

