quarta-feira, março 18, 2026
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Governo precisa reduzir despesa ou mudar meta de inflação para juros baixar, diz Gustavo Franco

Ex-presidente do BC afirma que Selic alta reflete inconsistência entre governo e Banco Central, e que impacto do conflito no Oriente Médio pode forçar corte mais modesto dos juros

Ex-presidente do Banco Central (BC) e fundador da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco avalia que o patamar elevado da taxa básica de juros é compatível com a situação das contas públicas. “Ou o governo mexe com a política fiscal e reduz despesa, reduz o déficit, ou mexe com a meta de inflação. Se não mexer em nenhum dos dois, o juro vai ficar muito pressionado”, disse em entrevista à IstoÉ Dinheiro.

A meta de inflação atual está fixada em 3% em 12 meses, com 1,5 ponto percentual de margem para cima ou para baixo. Em fevereiro, a taxa acumulada em um ano ficou abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. Segundo a última edição do Boletim Focus, o mercado financeiro espera que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo feche 2026 em 4,10%, dentro do teto, porém acima do centro da meta.

Para Franco, a Selic precisa ficar em um patamar elevado pois a situação ruim das contas públicas exige um prêmio maior para que investidores comprem os títulos do Tesouro. “A Selic reflete uma inconsistência entre o fiscal e o monetário, entre um déficit fiscal muito grande, o déficit primário, que é inconsistente com a meta de inflação que o próprio governo fixou em 3%”, disse.

Em outras palavras, o Brasil estaria trabalhando simultaneamente em duas direções opostas. Enquanto o governo eleva a inflação ao usar dinheiro público para incentivar o crescimento da economia, o BC busca uma meta de inflação baixa e drena os próprios esforços de expansão feitos pelo governo.

Guerra no Oriente Médio ditará futuro dos juros

Na última ata de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), foi sinalizado um início de uma trajetória de corte nos juros para esta quarta-feira, 18. O corte foi considerado possível pois, após meses com a Selic em 15% ao ano, a inflação desacelerou e voltou para dentro do teto da meta.

No entanto, o conflito no Oriente Médio complexifica a decisão. Desde que os Estados Unidos e Israel realizaram uma série de ataques contra o Irã e iniciaram assim um conflito que se espalhou pela região, a cotação do barril de petróleo disparou acima dos US$ 100, alcançando o maior patamar desde a pandemia. O aumento dos preços dos combustíveis e do custo de frete pressionará mais a inflação no Brasil.

Na visão de Gustavo Franco, o conflito ainda não demonstra força o suficiente para interromper o movimento de cortes da Selic.  “Talvez modifique o ritmo”, diz. Economistas apontam que o corte poderia ser de 0,5 ou 0,25 ponto percentual.

“Deve haver o início do ciclo de baixa [nesta quarta-feira]. Mas os próximos passos da guerra vão determinar o que vai acontecer depois. Está cedo para dizer”, conclui Franco.

*A entrevista ocorreu durante o 19ª Congresso Internacional das Indústrias Abimapi. O repórter viajou para o evento à convite da Abimapi
Fonte: Isto é Dinheiro
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