Caso o envolvimento seja confirmado, a investigação pode ser desmembrada para que o STF acompanhe a apuração daqueles que tiverem foro privilegiado
As investigações da Polícia Federal sobre o caso do Banco Master apontam para o envolvimento de políticos com foro especial. Provas coletadas na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo Daniel Vorcaro, contêm referências a lideranças partidárias e altas autoridades, segundo relatos obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo.
As apurações sobre essas autoridades, cujas identidades ainda não foram reveladas, precisarão ser julgadas pelo Supremo Tribunal Federal.
As referências aos políticos não teriam relação direta com o inquérito sobre a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Master e a negociação de venda do Banco de Brasília.
Vorcaro ganhou notoriedade política em Brasília por ter construído uma rede de aliados parlamentares e por organizar encontros em uma mansão na capital do Distrito Federal. Embora não se conectem diretamente à fraude bancária, as informações coletadas nos celulares e computadores aprendidos do ex-banqueiro podem levar a uma investigação mais aprofundada, com tamanho comparável à Lava Jato.
As novas informações passarão por uma investigação aprofundada para determinar se houve participação de autoridades nos esquemas de fraudes de Vorcaro. Os dados serão somados aos já coletados na segunda fase da operação, que teve como alvo o uso de fundos de investimentos administrados pela gestora Reag para desvio de recursos captados pelo Master com vendas de CDBs.
Caso o inquérito envolvendo a negociação BRB-Master seja remetido à Justiça de primeiro grau, a eventual investigação envolvendo políticos poderá continuar sob a supervisão do Supremo.
Nesta semana, o ministro do STF, Dias Toffoli, vai analisar a possibilidade de remessa das investigações sobre o Banco Master à primeira instância após o término das investigações. “Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”, diz nota do gabinete do ministro.
Toffoli tem sido alvo de críticas por sua atuação no processo, após decisões controversas e indícios de ligações da família de Toffoli com o dono do Master. O gabinete ressalta que o ministro foi sorteado relator da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na tentativa de venda do Master para o Banco de Brasília.
Logo após a divulgação da nota, Toffoli suspendeu o sigilo dos depoimentos ligados à suposta fraude do Master envolvendo a venda de ativos do BRB.O caso, que tramitava na Justiça Federal, subiu para o Supremo após um pedido da defesa de Vorcaro. O pedido teve como base a citação do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que não é investigado.
Fonte: InfoMoney

