quinta-feira, janeiro 8, 2026
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Reforma Tributária: mais de 60% das empresas ainda não mediram o impacto nos negócios

Estudo da Qive mostra que empresas pequenas estão significativamente mais despreparadas para as mudanças trazidas pela reforma

A maioria das organizações brasileiras ainda não está devidamente preparada para a implementação da Reforma Tributária do Consumo, que já está em vigor. De acordo com o Panorama do Contas a Pagar 2026, pesquisa realizada pela plataforma de gestão de pagamentos Qive, 40% das empresas ainda não começaram a identificar os impactos da reforma e, embora 25% estejam planejando iniciar esse processo, apenas 38% efetivamente deram início ao mapeamento dos efeitos – os 62% remanescentes, não.

O estudo foi realizado com o suporte da Opinion Box, por meio de contratação exclusiva para esta análise. A amostra contemplou 406 profissionais de empresas de variados portes em todo o território nacional.

“O dado de que boa parte das companhias ainda não iniciou seu mapeamento nos chama atenção, já que é um fator de risco que poderia ser mitigado. A transição exigirá a revisão estrutural de processos e sistemas, e não apenas adequações pontuais. As companhias que iniciarem este processo maio cedo terão mais capacidade de transformar a obrigação em vantagem competitiva”, afirma Erika Daguani, CPO da Qive.

Atualmente, metade das organizações consultadas declarou utilizar algum sistema integrado de gestão (ERP) ou outras plataformas que executam e automatizam funções como geração de relatórios (20%), entrada de documentos (15%) e cadastros (15%). A conferência dos documentos, entretanto, figura entre as tarefas menos automatizadas (11%).

Com a implementação da RTC a partir de 2026, mais da metade dos entrevistados indicou a intenção de automatizar e/ou aumentar a periodicidade (60%) desse processo de conferência. Contudo, o grupo restante, que é considerável, permanece inerte.

Para Daguani, essa divisão reflete o grau de maturidade da gestão fiscal no país. “Organizações com processos digitalizados e governança fiscal sólida tendem a enxergar oportunidades estratégicas. Já as que ainda enfrentam ineficiências internas estão mais propensas a ver a reforma como uma ameaça”, avalia.

Quanto menor, mais despreparada

Os dados da pesquisa também evidenciam que as empresas de grande porte são as mais preparadas: 85% já acompanham notas técnicas e propostas da reforma, 75% estão revisando processos e ERPs, e 70% realizam simulações de cenários.

Em contrapartida, 60% das PMEs reconhecem não ter iniciado nenhuma ação preparatória, um quadro que pode acarretar maior dependência de suporte externo e custos elevados de adaptação nos primeiros anos da transição.

Entre as iniciativas mais adotadas até o momento estão capacitação de equipes (17%), revisão de sistemas internos e ERPs (12%) e contratação de consultorias especializadas (13%).

Backoffice: a estrela da vez

Com a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), a lógica de apuração de tributos e de escrituração fiscal se transformará, ficando ainda mais rígida – e menos adequada a processos puramente manuais. Nesse sentido, as empresas precisarão revisar rotinas de faturamento, compliance e integração entre áreas como TI, fiscal, compras e jurídico, sendo as principais tarefas a adequação de sistemas e documentos fiscais, inclusão de novos campos e a alteração do CNPJ para o formato alfanumérico, segundo a Qive.

“O novo modelo tributário exigirá que as organizações tratem o backoffice com a mesma atenção estratégica que dão à frente de receita. Automatizar a conferência e o fluxo de documentos fiscais não será apenas uma questão de eficiência, mas de sobrevivência. Com dois sistemas tributários coexistindo por anos, qualquer processo manual ou pouco integrado pode gerar inconsistências, perda de crédito e risco de autuação”, acredita Erika.

Vale ressaltar que os contribuintes que deixarem de declarar os novos impostos criados pela reforma tributária serão punidos após três meses da edição dos regulamentos da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), período considerado educativo pelo Fisco.

Split payment e crédito tributário lideram as buscas de empresas brasileiras

Um levantamento complementar, feito via dados capturados pela ferramenta proprietária de inteligência artificial da Qive, analisou o impacto dos 544 artigos da Reforma Tributária por setor (CNAE), e mostrou que “split payment” (pagamento dividido no B2B) e “crédito tributário” são os temas mais pesquisados pelas empresas brasileiras.

split payment é o que determina o recolhimento automático do imposto no momento do pagamento da transação, e é visto com preocupação especialmente por setores como tecnologia, varejo e serviços, por afetar diretamente o fluxo de caixa.Já o crédito tributário, o segundo mais buscado, reflete dúvidas sobre direito ao crédito e risco de acúmulo ou perda caso o fornecedor não tenha recolhido corretamente o tributo. “Ambos concentram a dor real dos negócios: como manter a liquidez e garantir compliance ao mesmo tempo”, encerra Erika.

Fonte: InfoMoney

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