terça-feira, fevereiro 3, 2026
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Indicado de Haddad para o BC defendeu mudança na ‘postura’ da política monetária

Declarações foram feitas por secretário em novembro, em entrevista sobre indicadores econômicos

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, indicado pelo ministro Fernando Haddad ao presidente Lula para uma vaga na diretoria do Banco Central (BC), defendeu uma mudança na “postura” da política de juros conduzida pela autoridade monetária.

Apesar da indicação de Haddad, cabe a Lula escolher o próximo diretor do BC. O nome irá passar por sabatina e votado pelo Senado. Há duas vagas abertas no BC e uma delas é na Diretoria de Política Econômica, responsável por fornecer o embasamento técnico das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre Selic e atuar na comunicação da política monetária. A outra vaga é na Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.

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Em entrevista à imprensa para apresentar as previsões do governo para indicadores macroeconômicos, como PIB e inflação, Mello disse que dados do Executivo apontam para um cenário em que será possível ter uma mudança na “postura” do BC.

“O ministro Fernando Haddad tem confiança nessa trajetória que nossos números, números do BC, e até, em certa medida, os números do mercado mostram, que é o seguinte: vamos ter uma convergência da inflação para meta (de 3%), ela vai levar tempo, não vai ser imediata, assim como vamos ter um ciclo compatível com o nosso potencial daqui para frente. E essa trajetória é uma trajetória benigna que possibilita uma mudança na postura da política monetária”, disse o secretário de Política Econômica da Fazenda.

A discussão, afirmou, gira em torno do momento do corte nos juros:

“(A mudança na trajetória) Não (seria) também imediata, de ultra restritiva para neutra ou expansiva, não é isso que se fala. O questionamento não é acerca da trajetória, isso todo mundo concorda. A discussão gira em torno do momento, de quando.”

“As políticas, tanto fiscal quanto monetária, têm produzido efeitos reais, portanto a taxa de juros, de fato, tem impactado o mercado de crédito, não é um impacto pequeno. É um impacto, inclusive, que já faz a gente entrar no campo da retração, não da desaceleração do mercado de crédito”, afirmou em novembro.

No Copom da semana passada, o BC sinalizou o corte na taxa de juros na reunião de março.

Indicação de Haddad

O nome do secretário foi apresentado por Haddad à Lula para uma vaga na diretoria do BC. A decisão final, no entanto, cabe ao presidente, que ainda vai deliberar sobre o tema. O presidente já seguiu indicações do ministro ao BC em outros momentos, como no caso de Gabriel Galípolo, atual presidente da autoridade monetária, e ex-secretário-executivo de Haddad.

Mello está hoje à frente da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, núcleo responsável pelas projeções oficiais de inflação, crescimento e resultado fiscal que embasam decisões e propostas do governo. É dessa área que saem os cenários e simulações usados na calibragem de medidas econômicas e na resposta a choques externos.

Agentes do mercado, no entanto, têm encarado a possível indicação com reticências, devido ao perfil considerado heterodoxo do secretário.

Na entrevista de novembro, Mello foi questionado se seria necessário esperar a projeção chegar ao centro da meta (3%) para iniciar o corte de juros. O secretário respondeu que existe um espaço de avaliação, feita pelo Copom.

“Esse pode ser um fator que eles avaliam, mas não há automatismo sobre esse tema.”

Cadeiras vagas

No momento, que duas cadeiras da diretoria do Banco Central seguem sem titulares desde o final do ano passado. Uma delas é a Diretoria de Política Econômica, hoje ocupada interinamente por Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos. A área é responsável pelos cenários macroeconômicos que orientam as decisões de juros e pela elaboração dos principais documentos técnicos do Comitê de Política Monetária (Copom).

A outra vaga é a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, que acompanha a estrutura do sistema financeiro e conduz processos de resolução de instituições. O posto está sob interinidade de Gilneu Vivan, diretor de Regulação.

Fonte: InfoMoney
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