sexta-feira, fevereiro 20, 2026
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A reforma tributária agora é só teste. Empresas têm se ajustar

Para as empresas, o ganho não é pagar menos imposto, mas sim parar de perder dinheiro com a burocracia para pagá-los. O paradoxo é que o prejuízo já está batend

Uma das mais aguardadas reformas empreendidas no Brasil nos últimos anos, seguramente, foi a reforma tributárIa, que começa a se tornar realidade este ano e deve ganhar espaço a partir de agora, quando (segundo dizem) o ano efetivamente começa no Brasil – e talvez na China, que ingressou no ano novo na terça-feira. A promessa é que a reforma dos impostos sobre o consumo destrave a economia brasileira. Apesar de não prever redução da carga tributária, embute o conceito da simplificação, o que, por si só, pode implicar redução de custos para as empresas obrigadas hoje a manter departamentos inteiros para processar a barafunda de leis tributárias e impostos.

Estima-se que as empresas brasileiras gastem, em média, 1.500 horas por ano apenas para calcular e pagar impostos, o que deve ser reduzido com a entrada efetiva em vigor do IBS e do CBS em 2027. Esse ganho de produtividade gerado pela reforma vai impactar a geração de riqueza do país. A projeção mais citada pelo governo e por economistas é que a reforma pode gerar um crescimento adicional do PIB entre 12% e 20% em um período de 15 anos. O Ipea estima um ganho acumulado de 2,39% até 2032, em relação ao cenário sem reforma, enquanto estudos da FGV e FMI apontam que o PIB potencial do país pode ser elevado em até 8%, apenas com uma melhor alocação dos recursos.

“A reforma tributária não cria problemas; ela apenas tira o tapete onde a sujeira da gestão estava escondida”, observa Lucas Sousa, gerente comercial da GestãoClick, para alertar as empresas para a necessidade de se organizarem este ano, já que a reforma funcionará em fase de teste. Como estamos em 2026, o ganho econômico imediato não é financeiro, mas operacional. A alíquota de teste de 1% (0,9% CBS + 0,1% IBS) serve para calibrar o sistema. O ganho aqui é a previsibilidade: empresas que se organizarem agora evitarão as multas e o caos administrativo que atingirá quem deixar para a última hora.

Para as empresas, o ganho não é pagar menos impostos, mas sim parar de perder dinheiro com a burocracia para pagá-los. O paradoxo é que, embora o novo sistema só comece agora, o prejuízo já está batendo à porta de muita gente. Não por causa da lei nova, mas pela velha e conhecida desorganização. Dados recentes da GestãoClick, um sistema ERP de gerenciamento empresarial, revelam um cenário de “paralisia por análise”: 97% das empresas não se sentem preparadas e quase 70% sequer começaram a se mexer. O sintoma mais comum? O empresário sabe que será impactado, mas não faz ideia de como o baque virá.

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