Congresso acelera análise da MP da “taxa das blusinhas” a poucos dias do fim do prazo

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Comissão mista se reúne nesta sexta-feira (28) e parlamentares pretendem votar a medida na próxima semana; sem aprovação, cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 pode voltar.

O Congresso Nacional acelerou a tramitação da medida provisória que zerou a chamada “taxa das blusinhas” sobre compras internacionais de pequeno valor.

A comissão mista responsável pela análise daMP 1.357/2026 se reúne nesta sexta-feira (28), às 10h, para eleger presidente e vice-presidente e dar início aos trabalhos do colegiado. A reunião havia sido inicialmente prevista para setembro.

O movimento aumenta a pressão sobre a análise da proposta. A MP precisa ser aprovada pelo Congresso até 8 de setembro para ser convertida em lei. Caso isso não aconteça, a medida perde a validade e a cobrança federal de 20% de Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50 poderá voltar.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou a indicação do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) para presidir a comissão. A relatoria deverá ficar com um senador.

Congresso quer votar MP já na próxima semana

A antecipação ocorre depois de uma reunião realizada na quarta-feira (26) entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e Hugo Motta.

No encontro, a MP da taxa das blusinhas foi incluída entre as matérias consideradas prioritárias para o chamado esforço concentrado do Congresso entre 31 de agosto e 4 de setembro.

Alcolumbre afirmou que a intenção é deliberar sobre a matéria nesse período, justamente porque será a última semana de esforço concentrado antes das eleições.

Com isso, o Congresso terá poucos dias para concluir a análise na comissão e avançar com a votação necessária antes do encerramento da vigência da medida.

O que muda com a MP da taxa das blusinhas?

A expressão “taxa das blusinhas” ficou conhecida como referência à cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50.

Em maio de 2026, a MP 1.357 alterou as regras aplicáveis às remessas postais internacionais e abriu possibilidade de redução das alíquotas pelo Ministério da Fazenda. Para as compras de até US$ 50, a tributação federal foi reduzida a zero.

Por se tratar de uma medida provisória, a norma produz efeitos desde sua edição, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para permanecer definitivamente no ordenamento jurídico.

Segundo o Congresso Nacional, o prazo máximo da MP termina em 8 de setembro de 2026.

Na prática, o cenário é o seguinte:

Situação Consequência
Congresso aprova a MP dentro do prazo Regra pode ser convertida em lei, conforme o texto aprovado
Congresso altera a proposta Novo texto dependerá da votação das duas Casas
MP não é aprovada até 8 de setembro Medida perde validade e a cobrança de 20% pode retornar

Comissão já havia tentado iniciar os trabalhos em agosto

Não é a primeira tentativa de instalação do colegiado.

Uma reunião havia sido marcada em 12 de agosto para instalar a comissão e eleger sua direção, mas não houve acordo sobre a escolha do presidente e do relator. A instalação acabou adiada.

Agora, com o prazo da MP se aproximando do fim, Câmara e Senado aceleraram as negociações.

Além da eleição do presidente, a definição do relator será especialmente importante porque caberá a ele apresentar o parecer que orientará a análise da proposta no colegiado.

Fim da cobrança divide governo, varejo e indústria

A discussão sobre as importações de pequeno valor envolve interesses distintos.

Defensores do fim da cobrança argumentam que a redução do imposto diminui o custo das compras internacionais para os consumidores.

Já representantes da indústria e do varejo brasileiro sustentam que a diferença de tributação entre produtos importados e nacionais pode prejudicar empresas que produzem e geram empregos no país.

Nesta semana, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) voltou a se posicionar contra a medida.

Segundo nota técnica divulgada pela entidade, o fim da cobrança pode colocar em risco 109 mil empregos e cerca de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica em 2026. A estimativa considera os possíveis efeitos da retirada do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas pelo Programa Remessa Conforme.

A entidade argumenta que a tributação ajuda a reduzir parcialmente a diferença existente entre os encargos incidentes sobre produtos fabricados no Brasil e mercadorias adquiridas no exterior.

O que acontece agora?

A reunião da comissão mista desta sexta-feira representa apenas o início da fase decisiva.

Depois da instalação do colegiado, será necessário definir a relatoria, analisar o texto e eventuais alterações e aprovar um parecer.

A matéria poderá então seguir para os plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

A expectativa das presidências das duas Casas é aproveitar a semana de esforço concentrado, entre 31 de agosto e 4 de setembro, para avançar com a votação.

O calendário será apertado: depois dessa semana restarão poucos dias antes de 8 de setembro, data-limite para a vigência da MP.

Por isso, qualquer atraso na comissão ou nos plenários aumenta a possibilidade de a medida perder a validade antes da conclusão da análise pelo Congresso.

Fonte: Contábeis