quarta-feira, março 11, 2026
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Quem é Dario Durigan, que deve assumir a Fazenda no lugar de Haddad

Mestre em Direito pela UnB e número 2 da Fazenda, Dario Durigan deve dar continuidade da gestão Haddad no Ministério

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad já havia antecipado no início do ano que deixaria o cargo para atuar na campanha de reeleição do presidente Lula. O prazo inicial era “até fevereiro” e, desde então, o nome de Dario Durigan começou a ser ventilado como seu substituto natural.

Dario Carnevalli Durigan assumiu como secretário executivo do Ministério da Fazenda em junho de 2023. Tornou-se então “número dois” no comando da pasta, substituindo Gabriel Galípolo, que, naquele momento, era indicado ao cargo de diretor de política monetária do Banco Central (BC).

“Dario Durigan tende a preservar os principais compromissos já firmados pela pasta, como a consolidação do novo arcabouço fiscal e a reforma tributária em curso”, analisa o economista Fábio Murad, CEO da Super-ETF Educação.

Na terça-feira, 10, Haddad, confirmou que deixará o comando da Fazenda na próxima semana, mas não para entrar na campanha de Lula, e sim, como candidato. O ministro reforçou que o secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, deverá assumir o comando do ministério, mas a decisão caberá ao presidente Lula.

Haddad disse acreditar que Durigan o substituirá no cargo. “O Dario eu acho que tem uma relação muito boa com o presidente, de muita confiança, e tem o domínio aqui do ministério há muitos anos. É um grande gestor público. Eu acredito, mas é uma prerrogativa do presidente anunciar”, afirmou.

Haddad deve concorrer nas Eleições deste ano, segundo fontes, ao cargo de governador por São Paulo, mas o ministro não confirmou ainda a informação.

Trajetória no Direito

Assim como seu antecessor no comando do ministério, Dario Durigan formou-se em Direito na Universidade de São Paulo (USP). Enquanto Fernando Haddad estudou Economia em seu mestrado, Durigan tornou-se mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília (UnB), com uma dissertação intitulada “Desobediência Democrática no Brasil”.

“Dario Durigan não é um caso típico de ministro da fazenda”, analisa o diretor nacional do Ibmec, Reginaldo Nogueira. “Ele não tem trajetória direta em economia ou finanças. Sua formação e todos seus estudos são em Direito, tendo experiência muito grande em Políticas Públicas, Relações Governamentais e Relações Institucionais.”

Não é a primeira vez que um profissional de fora da área econômica assume o comando da Fazenda. O caso mais célebre da Nova República é certamente do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que chefiou a Fazenda durante o governo de Itamar Franco, tornando-se responsável pela implementação do Plano Real.

A experiência de Durigan em órgãos públicos inclui duas passagens pela Advocacia-Geral da União. Primeiro, no Departamento de Gestão Estratégica entre 2010 e 2011. Depois, como consultor jurídico da União entre 2017 e 2019, período no qual foi membro fundador do Núcleo de Arbitragem da AGU.

Durante o mandato de Haddad como prefeito de São Paulo, Durigan atuou como Conselheiro de Administração da empresa pública SPUrbanismo e no assessoramento direto do prefeito, trabalhando na coordenação das secretarias e na interlocução com a Câmara Municipal.

“É alguém que tem perfil negociador, organizado”, comenta Nogueira. “Então, ele não tem uma agenda própria ao assumir o ministério. É basicamente de continuidade.”

Fora da política, Durigan já advogou e foi diretor de políticas públicas do WhatsApp entre 2020 e 2023. Também atuou como presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil. Atualmente, é ainda membro conselheiro do Conselho Fiscal da Vale.

Dario Durigan tende a agradar mercado financeiro

A indicação de um nome com perfil de manutenção do funcionamento do Ministério tende a tranquilizar os agentes do mercado financeiro em um ano particularmente conturbado. Na visão do estrategista chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, “Durigan já estava na pasta. Então, é uma transição um pouco mais simples. O mercado simplesmente vai seguir a vida”.

Cruz adiciona que os escritos econômicos já publicados por Durigan demonstram uma ortodoxia econômica maior até do que aqueles do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo. “E hoje o Gabriel Galípolo é unanimidade”, comenta.

“O que o Durigan já escreveu e falou em entrevistas segue uma lógica de compromisso com o arcabouço fiscal e, claro, com os programas sociais, que é o que o presidente Lula obviamente vai cobrar”, segue Cruz.

Os economistas consultados veem como improvável a implementação de qualquer ajuste fiscal neste ano pelas mãos de Durigan. No entanto, acreditam que o mercado financeiro já precificou que uma mudança na gestão das contas públicas não correria durante o ano eleitoral.

“É basicamente um ministro de um período de transição até que um novo governo seja eleito ou reeleito e um novo ministro assuma em janeiro de 2027”, conclui Reginaldo Nogueira, do Ibmec.

Fonte: isto é Dinheiro

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