Como está a atual situação da proposta que põe fim à escala 6×1 ?

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Proposta prevê corte na carga semanal para 40 horas e dois dias de folga, gerando corrida pela relatoria no Congresso

O debate sobre a redução do tempo de trabalho no país voltou a ganhar fôlego no Congresso Nacional. A PEC 221/2019 prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Sob a condução do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a proposta começou a tramitar formalmente na Casa, integrando um pacote de pautas classificadas como prioritárias, que abrange também matérias de segurança pública e a política nacional de minerais estratégicos.

A medida reativa a discussão sobre o impacto da reformulação das jornadas tanto para a rotina do trabalhador quanto para a saúde financeira das corporações.

Proposta altera a jornada de trabalho

Atualmente, o texto constitucional fixa o limite de trabalho em oito horas diárias e 44 horas semanais, prevendo margem para compensações via negociação coletiva. A PEC 221/2019 altera esse parâmetro ao teto de 40 horas semanais, sem qualquer abatimento nos rendimentos dos empregados.

Na prática, a mudança extingue o modelo em que se trabalha seis dias para descansar um, assegurando dois dias semanais de folga, preferencialmente aos domingos. Como o tema engloba diferentes propostas já apresentadas no Legislativo, o texto ainda pode sofrer modificações durante as discussões.

Corrida contra o relógio

Antes de qualquer deliberação no Plenário, o projeto vai passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde serão examinados seus aspectos jurídicos, constitucionais e de mérito.

O Palácio do Planalto atua nos bastidores para emplacar um aliado na relatoria da matéria, sendo cotados os senadores Otto Alencar e Omar Aziz. O movimento do governo visa acelerar o trâmite para tentar votar a emenda durante a semana de esforço concentrado do Congresso, agendada para o período de 31 de agosto a 4 de setembro, antes da eleição em outubro.

Exigências regimentais e reação empresarial

O curto prazo para apreciação, contudo, esbarra na complexidade regimental. Por se tratar de alteração na Constituição, o projeto exige apoio de no mínimo três quintos dos senadores (49 votos) em dois turnos de votação. Caso haja alguma modificação, precisa retornar à Câmara dos Deputados.

Paralelamente, lideranças do setor empresarial pressionam por prazos mais amplos, demonstrando preocupação com os custos operacionais, o rearranjo de escalas e o funcionamento de serviços essenciais. Representantes da indústria e do comércio já solicitaram ao presidente do Senado que o tema seja aprofundado com mais rigor e sem apressamento.

Etapas até a aprovação

Por outro lado, apoiadores da medida sustentam que a redução do ritmo produtivo resulta em ganhos diretos de saúde, qualidade de vida e convivência familiar para a classe trabalhadora.

Dessa forma, com o despacho assinado, os próximos passos do projeto englobam a indicação oficial do relator na CCJ, a realização de audiências públicas para avaliar os impactos econômicos e sociais, a votação na comissão e, se aprovado, o envio ao Plenário para votação em dois turnos.

Por fim, o desfecho da pauta dependerá do ritmo das negociações políticas e do consenso construído entre as bancadas partidárias.

Fonte: Jornal Contábil