Inadimplência em empréstimos sobe a nível recorde no Brasil apesar do Desenrola

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inadimplência no segmento de crédito com recursos livres no Brasil subiu em maio para 6,2%, contra 6,1% no mês anterior, atingindo o nível mais alto desde o início da série do Banco Central em março de 2011, mostraram dados divulgados nesta quarta-feira, 1º de julho.

O aumento ocorreu a despeito do lançamento pelo governo no início de maio do Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares que prevê a utilização de até R$ 15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores, com um impacto fiscal de até R$ 5 bilhões.

Em seu Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, o Banco Central citou o aumento da inadimplência em aquisição de veículos, no crédito pessoal não consignado sem garantias e nos empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado como os principais fatores para a deterioração da qualidade dos ativos no crédito livre, em que as condições do financiamento são definidas sem a interferência do governo.

As taxas de inadimplência em maio atingiram 6,5% nos financiamentos de veículos, 14,2% no crédito pessoal sem garantia e 7,9% nos empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado.

“Medidas recentes que promovem a renegociação de dívidas de pessoas físicas tendem a reduzir a taxa de inadimplência nas linhas elegíveis nos próximos meses”, disse o BC no relatório.

No ano passado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva introduziu novas regras para ampliar o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, com o objetivo de impulsionar o segmento cujo estoque cresceu 140,3% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 109,2 bilhões em maio.

Na época, o governo previu que muitos tomadores utilizariam o novo modelo para refinanciar dívidas mais caras por meio de empréstimos consignados mais baratos, cujas parcelas são descontadas diretamente dos salários.

Taxas de juros médias

Os dados do BC desta quarta-feira mostraram ainda que os juros dos empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado foram de 54,1% ao ano em maio, em comparação com 142,7% ao ano no crédito pessoal sem garantia.

Vale lembrar que a taxa básica de juros, a Selic está em 14,25%, e o BC indicou que, apesar do ciclo de afrouxamento iniciado em março, a Selic terá que permanecer em níveis restritivos para levar a inflação de volta à meta de 3%.

Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre ficaram em 49,5% ao ano, um aumento de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior.

Nos recursos direcionados, houve recuo mensal de 0,3 ponto percentual nos juros cobrados, a 12,2% ao ano.

O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, ficou estável em 35,8 pontos percentuais nos recursos livres.

Leva alta nas concessões de crédito

As concessões totais de empréstimos no Brasil aumentaram 0,2% em maio na comparação com o mês anterior, informou o BC, com o estoque total de crédito avançando 0,6% no período, a R$ 7,3 trilhões. Houve alta de 0,7% nas operações com empresas e de 0,5% nas com famílias, que alcançaram R$2,7 trilhões e R$4,6 trilhões, na ordem.

Em doze meses, a carteira de crédito total elevou-se 9,5% (ante 9,6% nos doze meses até abril), com avanços de 6,8% no crédito às empresas (ante 6,9%) e de 11,2% às famílias (11,2% também no mês anterior).

No mês de maio, as concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, caíram 1,1% em relação ao mês anterior. Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve alta de 13,3% no período.

Fonte: isto é Dinheiro