Próximo ministro terá que conciliar interesses do mercado e contas públicas com medidas adotadas na campanha
Uma semana após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência, no último dia 25, o mercado financeiro já especula nos bastidores sobre a definição de quem vai comandar a economia no quarto mandato do presidente.
O Ministério da Fazenda é uma das pastas mais visadas do novo mandato. O próximo ministro terá a missão de conciliar os interesses do mercado com a adaptação às medidas anunciadas pelo governo Lula durante a campanha eleitoral no segundo turno.
A pasta terá uma dificuldade extra em relação ao governo Lula 3, quando Fernando Haddad (PT) assumiu com o objetivo de equilibrar as contas públicas. Agora, será necessário passar ao mercado credibilidade fiscal, realizar ajustes no orçamento e manter os compromissos assumidos por Lula.
Os nomes especulados para comandar a economia
Entre os nomes especulados, estão o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, que assumiu a pasta em abril após Haddad sair para disputar as eleições. Além dele, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também é especulado, assim como o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, também é um dos cotados.
Rafael Fonteles
O primeiro dos cotados é o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). O piauiense assumiu protagonismo durante o segundo turno da campanha presidencial, quando esteve mais perto de Lula.

Além de ser um nome de confiança do presidente, Fonteles é formado em Matemática pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), sendo um dos nomes mais premiados da graduação. O governador também ocupou a vaga de secretário de Fazenda e de presidente do Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz).
Dario Durigan
Outro nome estudado pelo governo é o do atual ministro. Dario Durigan é visto como figura leal ao presidente, que tem boa interlocução com o mercado financeiro e que já comandou temas importantes como líder da equipe econômica.

O ministro já destacou, no entanto, que Fonteles seria um “excelente nome” para o cargo. Ele também afirmou que ainda não conversou com Lula sobre o futuro da Fazenda.
Foi durante a gestão Durigan, por exemplo, que o governo editou a Medida Provisória (MP) que proíbe a atuação das casas de apostas online, as chamadas bets, no Brasil. Ele também participou de anúncios importantes, como o Desenrola e Desenrola Mei.
Bruno Moretti
Outro nome cotado para o cargo é o de Bruno Moretti, atual ministro do Planejamento e Orçamento (MPO), e que antes atuou na Casa Civil e no conselho da Petrobras.

Ele é economista formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Além disso, é servidor da carreira do MPO, desde 2004. Moretti tem bom trânsito no Congresso Nacional e no mercado financeiro, sendo reconhecido por ter um perfil mais técnico.
Com a medida, o governo não terá que aumentar o valor destinado aos pisos mínimos de saúde e educação em decorrência da alta da arrecadação com petróleo, devido a guerra no Oriente Médio.
Geraldo Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin também tem sido cotado para assumir a vaga. Durante grande parte do governo Lula 3, Alckmin foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

O nome agrada os mercados, por entender que Alckmin tem um perfil mais técnico e focado na organização das contas públicas.
Pesa contra ele, no entanto, a disponibilidade que o cargo necessita. Como Alckmin foi reeleito na chapa de Lula, deve se dedicar as demandas de que o cargo exige, portanto, não ficaria tão disponível para conversas com o mercado financeiro e Congresso Nacional.
Apesar disso, a condução do vice-presidente nas negociações das tarifas com os Estados Unidos (EUA) fez com que o nome ganhasse ainda mais destaque para assumir o cargo.
*Com informações do Metrópoles


