Reforma Tributária: cadastros desatualizados podem aumentar custos das empresas durante transição

0
76

Contador e tributarista José Belido orienta empresas a revisarem informações de clientes, fornecedores e produtos para evitar erros e prejuízos

Com a aproximação das novas etapas da Reforma Tributária, empresas de todos os portes precisam voltar a atenção para um aspecto que costuma passar despercebido fora dos setores fiscal e contábil: a qualidade das informações cadastrais. Segundo especialistas, erros e inconsistências em dados de clientes, fornecedores, produtos e serviços podem gerar impactos financeiros diretos na apuração dos novos tributos que substituirão gradualmente o atual sistema de tributação sobre o consumo.

O contador e advogado tributarista José Soares Belido explica que a cobrança experimental do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), iniciada em 2026, torna ainda mais importante a revisão dos cadastros empresariais. De acordo com ele, a eficiência prometida pelo novo modelo tributário dependerá da confiabilidade das informações registradas pelas empresas.

“A Reforma Tributária não começa apenas na legislação; ela começa dentro das empresas, nos seus sistemas e na qualidade dos seus cadastros. Muitas empresas estão focadas nas mudanças de alíquotas e regras, mas esquecem que informações incorretas de clientes, fornecedores, produtos e serviços podem gerar falhas na apuração dos tributos, perda de créditos e até aumento da carga tributária efetiva”, disse.

A Reforma Tributária tem como um dos principais objetivos simplificar e dar mais transparência à tributação do consumo. No entanto, para que as empresas consigam aproveitar os benefícios previstos, será necessário manter bancos de dados atualizados e em conformidade com as exigências legais.

egundo Belido, o saneamento cadastral deixa de ser uma atividade meramente administrativa e passa a integrar a estratégia tributária das organizações.

“Quando falamos em IBS e CBS, estamos falando de um modelo altamente dependente da consistência das informações. Um cadastro saneado reduz riscos de inconsistências, evita retrabalho, diminui custos operacionais e permite o correto aproveitamento dos créditos tributários. Na prática, isso significa preservar recursos financeiros que poderiam ser perdidos por falhas de informação”, orientou.

A preocupação ganha ainda mais relevância diante do cronograma de implementação da reforma. O especialista destaca que o dia 1º de setembro de 2026 foi definido como marco para a conformidade documental, quando os campos relacionados ao IBS e à CBS passarão a ser exigidos nos documentos fiscais.

Nova forma de apuração

Uma das mudanças mais significativas trazidas pela Reforma Tributária está relacionada à forma como os tributos serão calculados. Atualmente, o recolhimento dos impostos depende de análises realizadas pelos profissionais da contabilidade. Com a chegada do IBS e do CBS, a apuração passará a depender cada vez mais das informações registradas nas notas fiscais eletrônicas.

“Hoje, na prática, as empresas recolhem seus impostos a partir das apurações realizadas pelos profissionais da contabilidade, que analisam uma série de informações para chegar ao valor devido. Com a chegada do IBS e do CBS, que vão substituir gradualmente tributos como PIS, COFINS, ICMS e ISS, a lógica muda significativamente. A apuração será cada vez mais baseada nas informações constantes nas notas fiscais eletrônicas emitidas e recebidas pelas empresas. Isso significa que a qualidade dos cadastros passa a ter um papel fundamental”, explicou.

De acordo com ele, qualquer erro cadastral poderá resultar em documentos fiscais emitidos com informações incorretas, gerando recolhimento indevido de tributos, perda de créditos e riscos fiscais.

“Uma nota fiscal errada pode resultar em imposto pago a maior ou a menor, gerando prejuízos financeiros, riscos fiscais e dificuldades para a empresa. Por isso, o saneamento cadastral deixa de ser apenas uma questão administrativa e passa a ser uma medida estratégica para a saúde tributária do negócio”, afirmou.

Belido também observa que o novo sistema será mais automatizado e utilizará os dados das notas fiscais de venda e de compra para calcular créditos, débitos e valores a recolher.

“As informações das notas fiscais emitidas e das notas fiscais de compras serão a base para a geração dos débitos, créditos e dos valores a recolher. Em outras palavras, a qualidade da apuração dependerá diretamente da qualidade das informações registradas nos sistemas da empresa”, enfatizou.

Como se preparar para evitar prejuízos


Para o especialista, a revisão dos cadastros durante o período de transição pode evitar custos desnecessários e garantir uma adaptação mais segura ao novo modelo tributário.

“As empresas que deixarem essa revisão para a última hora poderão enfrentar custos desnecessários e problemas que poderiam ser evitados com planejamento e organização”, concluiu.

Além dos impactos internos, especialistas apontam que a adequação cadastral pode trazer reflexos para toda a cadeia econômica. Empresas mais preparadas tendem a reduzir custos operacionais, aumentar a conformidade fiscal e melhorar a competitividade, fatores que podem influenciar a formação de preços e fortalecer o ambiente de negócios.

Para José Belido, a capacidade de trabalhar com informações confiáveis será um diferencial na nova realidade tributária brasileira. “O cadastro será um dos mais valiosos na nova era tributária brasileira”, disse.

Fonte: FOLHA BV

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here